Tomasz Dowbor: O Culpado pela Falência do Banco de Kundi Paihama



A história de Tomasz Dowbor começa de forma inusitada, com um gesto que poderia ser considerado quase miraculoso. Com um simples apontar de dedo no mapa-múndi, o jovem polaco escolhe Angola, um país na África Ocidental. Em 1995, Dowbor desembarca em Luanda, cheio de ideias e ambições. Enquanto o país ainda se recuperava de anos de guerra, Tomasz traz consigo não apenas sonhos, mas também informações privilegiadas, obtidas através de seu pai, um ex-diplomata em Angola.

Ascensão ao Poder

Rapidamente, Dowbor se infiltra nos corredores do poder político e financeiro. Sua falta de nacionalidade angolana não o impede, uma vez que, por meio de um casamento estratégico, consegue se estabelecer no país. Assim, inicia sua saga triunfal no setor imobiliário, aproveitando-se da bonança econômica gerada pelo petróleo. Com acesso facilitado ao crédito, Tomasz funda o Grupo "BoaVida", uma verdadeira rede de empresas que abrange desde a agropecuária até o comércio de madeira.

O Camarada Tomasz

A ascensão de Tomasz culmina em sua "eleição" como camarada do MPLA na urbanização de Nova Vida, onde é homenageado pelo secretário-geral do partido, Julião Mateus Paulo, conhecido como Dino Matross. A conexão entre eles é intrigante, especialmente considerando que Matross também estudou na Polônia durante a luta de libertação nacional. As conversas entre eles, longe de serem meras lembranças acadêmicas, giram em torno de negócios imobiliários e investimentos.

O Grande Devedor

Apesar de seu imenso patrimônio, a realidade de Tomasz começa a desmoronar. Ele é revelado como um devedor significativo, com dívidas que o colocam em uma posição vulnerável. O ex-Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), ligado ao general Kundi Paihama, se torna o epicentro de sua crise financeira. Segundo um relatório do Banco Nacional de Angola (BNA) de 2016, Dowbor é o maior devedor do BANC, que foi declarado falido em 29 de janeiro de 2019, operando com um saldo negativo de 400 bilhões de Kwanzas.

A trajetória de Tomasz Dowbor, marcada por uma ascensão meteórica e uma queda abrupta, levanta questões sobre a natureza das relações de poder e negócios em Angola. A história do polaco é um reflexo das complexidades que permeiam o mundo dos negócios em um país em transformação, onde até mesmo os mais influentes podem enfrentar as consequências de suas ações. A falência do banco de Kundi Paihama e o papel central de Tomasz nesta trama são um lembrete de que, no final das contas, até os impérios mais grandiosos podem ruir.

Comentários