Valdomiro Minoru Dondo, um empresário nascido no interior de São Paulo, tornou-se um dos homens de negócios mais influentes em Angola, aproveitando-se da corrupção enraizada no governo de José Eduardo dos Santos. Dondo é uma figura conhecida nos altos escalões do poder angolano, mantendo relações comerciais com integrantes do governo, como evidenciado por sua participação em empreendimentos no complexo de Kinaxixi.
Envolvimento em Fraudes Financeiras
Dondo está sob investigação por fraudes que envolvem apropriação indébita, lavagem de dinheiro e corrupção. Estima-se que ele tenha causado prejuízos de aproximadamente US$ 45,6 milhões ao Banco Nacional de Angola, em contratos de fornecimento de papel moeda entre 2001 e 2012. Um empresário angolano descreveu Dondo como um "testa de ferro" para os corruptos do governo Santos.
A Conivência com o INSS
O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) do Brasil, na tentativa de rentabilizar os investimentos dos contribuintes, alocou cerca de US$ 275 milhões no setor imobiliário em Luanda, onde Dondo estava envolvido. Desde 1999, o INSS investiu em projetos imobiliários, incluindo os primeiros condomínios em Talatona.
Pitra Neto, na época diretor do INSS, afirmava que a instituição nunca teve prejuízos com o mercado imobiliário, destacando a racionalidade dos investimentos feitos. No entanto, esses investimentos levantam sérias suspeitas de corrupção.
O Caso do Condomínio Atelier dos Sonhos
Em 3 de junho de 2008, o INSS contratou a empresa Investe Grupo, de Dondo, para a construção do Condomínio Atelier dos Sonhos, orçado em US$ 66,5 milhões. Dondo constituiu a Investe Grupo em 2006, nomeando Cláudio Filipe de Almeida Barros Vinhas como sócio testa de ferro. Além disso, a empresa recebeu mais de 60 milhões de kwanzas para a legalização do condomínio, em um esquema que favoreceu Dondo.
Luanda Medical Center: Uma Outra Face da Corrupção
Outro projeto controverso foi o Luanda Medical Center (LMC), onde o INSS pagou US$ 45,7 milhões por nove dos 16 andares do edifício. Desde o primeiro contrato, assinado em 2009, até pagamentos posteriores, a presença de Dondo e suas empresas levantam questões sobre a lisura das transações.
O LMC, inaugurado em 2015, foi apresentado como propriedade do Grupo Mitrelli, mas a conexão de Dondo com a Health Finance, uma das empresas envolvidas, sugere um esquema complexo de corrupção e apropriação de recursos públicos.
As ligações de Valdomiro Minoru Dondo com o governo angolano e os investimentos do INSS revelam um cenário preocupante de corrupção e má administração de recursos públicos. O caso destaca a necessidade urgente de uma investigação profunda para responsabilizar os envolvidos e proteger os interesses dos cidadãos e contribuintes.
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